Para começar essa nota: vamos chamar piedade, senhor piedade, pra essa gente careta e covarde.
Já começo com a canetada do Cazuza pra esclarecer a não surpresa de uma organização de comunicação que era pra ser pública, a EBU, e seu festival ser hoje nitidamente, pra uma relés brasileira, uma PPP.
A EBU está parcialmente privatizada, seguindo o lobby do dinheiro e você que mora na Europa talvez já esteja ciente de que uma petição online, ou responder ao Ibope não basta. As ruas e o jurídico, sim.
O caso Israel, noticiado há meses, agora conta com o primeiro desfecho de uma votação casada na Assembleia Geral que, neste momento, fez o país permanecer em detrimento de países como Espanha, Irlanda, Eslovênia, Países Baixos, e quiçá, Islândia, Armênia e Polônia.
Ela ainda contém mais uma batalha – dessa vez nos tribunais envolvendo a UEFA -, uma entidade “irmã” da EBU. Isso em dois países diferentes: Suíça e Irlanda.
Se em um dos julgamentos, a UEFA for vetada juridicamente de manter qualquer coisa com Israel, o efeito é dominó e vai mudar radicalmente o paradigma da edição de 2026 do Eurovision, agora sem os países suficientes para realizar duas semifinais.
Nossos cálculos apontam para 31 a 33 países já contando tanto com as desistências como também uma eventual condenação e uma desistência de algum país do bloco germânico. Sem contar a inexistência de festas organizadas pelos fãs do Eurovision na Espanha em 2026, a outra, nos Países Baixos, ainda está confirmada (mas incerta).
Além dessas incertezas e das confirmações de parte desses países, que estão sentindo o boicote artístico, funcional e do público (de maneira justa), também nos faz sentido que os festivais de música internacionais (seja ESC e o ressurgido Intervision) agora já respiram por aparelhos em termos de independência artística.
Exemplos já estão acontecendo e o público eurovisivo, que antes ficava incrédulo, querendo cancelar, agora aplaude de pé nomes como Diodato, que não enviou canções para Sanremo; Bjork, figura totalmente influente na Islândia; e dos campeões dos campeões do Eurovision: Johnny Logan e Salvador Sobral.
Todos merecem o nosso respeito, afinal, a independência artística é uma política pública, que era para estar assegurada dentro e fora dos países. Infelizmente, ela está corrompida e o Eurovision é o exemplo dos exemplos a não se fazer em um festival.
