Israel e Eurovision: afinal, que fim levará?

Pedido de expulsão ou privatização? Afinal, o que acontecerá a seguir com o país que mantém aceso o debate sobre união cultural vs. arena geopolítica no Eurovision?

Pedido de expulsão ou privatização? Afinal, o que acontecerá a seguir com o país que mantém aceso o debate sobre união cultural vs. arena geopolítica no Eurovision?

Desde 2023, urbanna vem publicando uma série de análises sobre o dilema que já não é mais para os fãs. Já o é para a cúpula que gere o festival Eurovision.

O evento de celebração musical e cultural tornou-se palco de intensas controvérsias políticas, nas ultimas edições. As controvérsias se centraram na participação de Israel em meio ao conflito (também conhecido como atrocidade humanitária ou genocídio) em Gaza. As edições desses anos revelaram como o evento transcende a música, refletindo tensões geopolíticas e debates éticos globais.

A cidade de Malmö, Suécia, foi marcada por protestos sem precedentes em maio do ano passado. Milhares de manifestantes pró-Palestina tomaram as ruas durante os dias do evento, exigindo a exclusão de Israel do concurso. A escolha da cidade com uma grande comunidade de imigrantes do Oriente Médio, amplificou o simbolismo dos atos.

A cantora israelense, de origem russa, Eden Golan performou sob forte esquema de segurança. Ela alterou sua música “October Rain” para “Hurricane”. A música original foi considerada uma referência aos ataques de 7 de outubro de 2023. Essa mudança foi feita para atender às regras de neutralidade da União Europeia de Radiodifusão (UER), mas em vão.

A transmissão da emissora KAN contou com diversos comentários, revestidos de discursos de ódio, sobre vários participantes a ponto de 19 dos 26 países finalistas apresentarem queixas formais e uma investigação a qual resultou numa atualização dos termos de conduta e pontos de melhorias. O dossiê dessa investigação não foi divulgado publicamente pela entidade.

E a pressão não veio apenas das ruas. Mais de 60 organizações LGBTQ+ internacionais convocaram um boicote ao concurso. Elas acusaram Israel de “pinkwashing”. Esta é uma estratégia de usar causas progressistas para mascarar violações de direitos humanos. A crítica ecoou em coletivos artísticos, que vincularam a participação israelense a uma tentativa de “normalização” da ocupação em territórios palestinos.


E essa pressão ainda é sentida e transcendida, atingindo as instituições que compõem a EBU. Em dezembro de 2024, a emissora pública eslovena RTVSLO solicitou oficialmente à UER a exclusão de Israel do festival de 2025, citando os “ataques desproporcionais em Gaza desde outubro de 2023”. A petição foi respaldada por mais de 50 músicos eslovenos, incluindo ex-participantes do próprio festival.

Na Espanha, a emissora RTVE debateu seguir o mesmo caminho. O presidente da RTVE, José Pablo López, declarou que o tema seria analisado pelo Conselho de Administração. Ele destacou preocupações com a “instrumentalização política do evento”. A análise foi realizada em março, com dois cenários de quando saberemos o resultado. Pode ser às vésperas do festival ou assim que Ana Maria Bordas assumir a direção do Grupo de Referencia – um dos órgãos fiscalizadores do evento, a partir de junho.

Ao mesmo tempo, avançam as notícias sobre a potencial privatização da emissora KAN na mídia local. Fala-se também da sua iminente retirada da EBU após esta edição. Este é outro fator considerado como um cenário pra saída do país.

Se for concretizado, os pedidos formais na EBU serão efetivamente nulos. Contudo, o festival ganha um alívio imediato e permanece até que tenhamos outro caso sensível em seu festival.

E o show continua dessa forma, por enquanto…

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