As bandeiras que a EBU anda a esconder, os artistas erguem!

O Festival Eurovision da Canção 2025 em Basileia enfrenta disputas éticas e políticas, revelando contradições na EBU ao proibir símbolos de diversidade e expressão, provocando um ambiente hostil e exigindo ação coerente.

O Festival Eurovision da Canção 2025 em Basileia enfrenta disputas éticas e políticas, revelando contradições na EBU ao proibir símbolos de diversidade e expressão, provocando um ambiente hostil e exigindo ação coerente.

O Festival Eurovision da Canção 2025, sediado em Basileia, tornou-se mais do que um evento musical. Revelou-se um palco de disputas éticas e políticas. Essas disputas colocam em xeque todos os valores que o próprio festival afirma representar. A União Europeia de Radiodifusão (EBU) tenta manter o Eurovision como um espaço “apolítico”. No entanto, isso colide com a realidade de um mundo onde arte, identidade e política são inseparáveis.

A própria EBU compromete gravemente os princípios de liberdade de expressão e diversidade cultural. Ela faz isso ao proibir bandeiras não reconhecidas oficialmente, como as da Palestina ou LGBTQIA+, e ao reprimir manifestações artísticas de solidariedade pelos artistas. A censura desses símbolos e a repressão de vozes dissidentes representam não apenas uma contradição. Elas significam um retrocesso frente ao papel que o Eurovision poderia cumprir como espaço de resistência, empatia e inclusão.

A incoerência torna-se ainda mais gritante quando relembramos a exclusão da Rússia em 2022, após a invasão da Ucrânia — uma decisão amplamente apoiada por emissoras nacionais e governos europeus. Por que o mesmo critério não é aplicado a Israel, cuja emissora pública, KAN, é acusada por artistas e organizações de conivência com crimes de guerra em Gaza? Essa seletividade revela um duplo padrão inaceitável, em que a neutralidade reivindicada se transforma em conivência silenciosa com a injustiça.

Além disso, participantes que expressaram apoio à Palestina relataram sofrer ataques digitais coordenados, ameaças e campanhas de difamação. Esse ambiente hostil, somado à nova omissão da EBU em proteger artistas e garantir um espaço seguro, contradiz completamente o espírito do festival.

Mais de 70 ex-participantes do Eurovision assinaram a petição (que pode aumentar). Entre eles, estão Salvador Sobral (Portugal, 2017), Mae Muller (Reino Unido, 2023), La Zarra (França, 2023) e até Paulo de Carvalho (Portugal, 1974). Nesta petição, há uma carta aberta exigindo a exclusão de Israel do concurso. Eles acusam a emissora israelense KAN de ser cúmplice de crimes de guerra em Gaza. Eles também criticam a União Europeia de Radiodifusão (EBU) por aplicar um “duplo padrão” – comparado com a Rússia.

A resposta de algumas emissoras públicas é clara. A norueguesa NRK, embora não tenha apoiado diretamente a exclusão de Israel, quis reafirmar seu compromisso com a ética e a imparcialidade. A imparcialidade é evidente nas petições da espanhola RTVE, da eslovena RTVSLO e da islandesa RUV. Esses documentos mostram que ainda há espaço para posicionamentos responsáveis dentro da rede de países participantes. Cabe agora à EBU escutar essas vozes e agir com coerência.

O Eurovision não pode se isentar da responsabilidade de refletir os valores que pretende celebrar. Em tempos de conflito, neutralidade não é imparcialidade — é omissão. A arte é, e sempre foi, política. O festival deve ser um espaço onde todas as vozes possam se expressar com liberdade, sem medo, e onde a diversidade cultural e humana não seja apenas celebrada, mas protegida.

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