Eurovision: Segunda gala entregou pouco para tantas expectativas

Faltou fôlego. Faltou voz. E, mais que tudo, faltou verdade.

Faltou fôlego. Faltou voz. E, mais que tudo, faltou verdade.

Se a abertura da Eurovision já acendia sinais amarelos, a sequência das apresentações nesta quinta-feira tratou de confirmar: a desilusão não apenas chegou — ela foi garantida.

A velha fórmula do euroready — aquela mistura milimetricamente calculada de refrão chiclete, performance plástica e vocal potente — parece ter perdido o prazo de validade. Faltou fôlego. Faltou voz. E, mais que tudo, faltou verdade. As letras intensas, muitas vezes dramáticas até demais, foram exploradas sem a vivacidade necessária para sustentar a emoção que pretendiam evocar.

O resultado? Um desfile de boas intenções e más execuções.

Austrália, tradicionalmente sólida, derrapou. Geórgia, que prometia uma performance memorável, se perdeu entre a estética e a entrega. E até mesmo Israel — vista por muitos como hors-concours desta edição — tropeçou em suas próprias expectativas, sem conseguir transformar técnica em impacto emocional.

Mas nem tudo se perdeu entre notas desafinadas e coreografias automáticas. Alguns países pareceram estudar a lição do ano passado e voltaram ao palco com algo mais raro — e precioso — que uma produção milionária: coerência.

Luxemburgo, por exemplo, fez um retorno elegante e simbólico com uma homenagem criativa à eterna France Gall, que venceu em 1965. Houve ali um respeito à história, mas com um olhar fresco, moderno, que ressoou tanto nos arranjos quanto na estética.

Já Letônia e Lituânia optaram por caminhos menos óbvios e mais interessantes: trouxeram suas culturas com orgulho, envolveram elementos do indie pop e conseguiram o feito de casar proposta artística com canto afinado — e sentido. Um respiro necessário em meio a tantos números que parecem montados por algoritmos.

E então veio Malta. Ah, Malta. Uma performance que beira o exagero sensual do começo ao fim, mas que é, de fato, muito bem cantada. A entrega vocal e a construção estética fazem dela, sem dúvida, uma das trilhas sonoras mais promissoras para os solteiros dispostos a “fazer o canto” no final de semana. Entendedores, entenderão.

Entre os finalistas automáticos, o cenário já parece mais do que desenhado: Itália e Suíça devem ocupar com folga dois dos três postos no topo. Ambos entregaram propostas tecnicamente impecáveis e emocionalmente potentes, com aquele equilíbrio raro entre forma e conteúdo. Ao lado deles, a França surge com uma canção envolvente, sofisticada e… conhecida.

Sim, conhecida. Porque, se por um lado a proposta francesa é ótima, por outro levanta uma questão incômoda: é mesmo válido refazer uma música lançada há dez anos para competir no festival? As regras não proíbem — o regulamento é claro ao delimitar apenas o intervalo entre 1º de setembro de 2024 e 15 de março de 2025 para lançamentos. Mas o espírito da competição talvez peça mais do que a simples ausência de restrições técnicas. Afinal, como competir em pé de igualdade quando alguns estreiam e outros apenas revivem?

O Eurovision sempre foi mais sobre emoção do que jurisprudência. Ainda assim, diante de uma edição morna, talvez seja mesmo o passado — reinventado — que vá aquecer o coração do público e dos jurados.


Classificados para a final

  • Lituânia
  • Israel
  • Dinamarca
  • Letônia
  • Malta
  • Finlândia
  • Grécia
  • Armênia
  • Áustria
  • Luxemburgo

Onde assistir ao Eurovision?

Sábado, 17 de maio, 16h

Opa, tudo bem?

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