No álbum Nosso Legado (2025), o músico catarinense Daniel Siebert entrega sua obra mais madura, engajada e visceral. Misturando rock pesado, lirismo e crítica social, ele transforma suas canções em um chamado à ação — seja no campo coletivo ou emocional. Produzido por Oliver Dezidério, o disco equilibra força e sensibilidade em 11 faixas que evocam esperança, dor e transformação. Um verdadeiro manifesto sonoro que coloca Daniel entre os nomes mais consistentes do rock nacional contemporâneo.
Com mais de uma década de estrada solo desde Fé no Futuro (2011), o cantor, compositor e produtor catarinense Daniel Siebert entrega em Nosso Legado (2025) seu trabalho mais contundente. Ele é reflexivo e socialmente engajado até aqui. Oriundo de Jaraguá do Sul (SC), com passagem internacional e uma trajetória marcada pela versatilidade — seja como artista solo, frontman do Machado de Einstein ou vocalista da banda de heavy metal Area Forty Seven — Siebert reafirma seu domínio da linguagem do rock, agora em uma proposta de manifesto.
Um álbum-conceito com peso e propósito
Desde os primeiros acordes, o disco mostra a que veio: guitarras sujas, produção crua e uma mistura potente de Hard Rock, Post-Grunge, Hardcore e Punk. A assinatura sonora fica por conta do produtor Oliver Dezidério (ODZmusic), que acerta ao manter a energia pulsante e a estética direta, sem verniz desnecessário. Tudo aqui é entregue com sangue nos olhos e coração nas letras.
Ao longo de 11 faixas, Daniel conduz o ouvinte por um arco emocional e político. Em faixas como “Pela Paz”, “Mesmo Sozinho” e a poderosa “Nosso Legado”, a palavra de ordem é transformação. As letras funcionam como convocações: superar vícios, práticas destrutivas e individualismo em nome de algo maior — um futuro mais justo e empático.
Mas nem só de urgência vive o disco. Em momentos como “Retrato na Parede” e “Renascer”, o tom é íntimo, quase confessional. São canções que tratam de dor, perdas e reconstruções pessoais com lirismo e humanidade. A espiritualidade e o olhar esperançoso que marcaram obras anteriores de Siebert continuam aqui, mas agora revestidos de uma sonoridade mais densa e urgente.
Faixas em inglês como “Like a Rolling Stone” (que não é um cover de Dylan) e “Ride” invocam a herança clássica do rock como ferramenta de resistência e liberdade, com ecos de Stone Temple Pilots, CPM 22 e até Ramones. É a reafirmação de Siebert como um artista que não se acomoda — alguém que transforma referências em identidade própria.

A arte da capa, assinada pelo próprio Daniel, traz uma impressão digital sobre fundo branco — símbolo do que o artista chama de “marca pessoal na construção de um legado coletivo”. Um gesto simples, mas carregado de significado: somos todos parte da mesma transformação.

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