Com informações de O Globo, Fórum e Pipoca Moderna.
Uma decisão causou um maremoto jurídico no caso de plágio que envolve Adele e o compositor mineiro Toninho Geraes. Nesta semana, a 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro declarou-se incompetente para julgar se a canção “Million Years Ago” (2015) copiou a obra prima “Mulheres”, de Toninho – eternizada na voz de Martinho da Vila. Decisão que transfere o processo para São Paulo e acendeu um novo debate sobre justiça e poder no universo musical.
Segundo o jornal O Globo, a companhia pleiteava que a ação tramitasse em conjunto com outra, relativa à rescisão do contrato que manteve com Geraes entre 1995 e 2023. O músico vai recorrer da decisão.
A reviravolta surge após meses de tensão. Em dezembro de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) ordenou a retirada da música de Adele das plataformas digitais, acatando liminarmente a acusação de plágio. A faixa voltou em 2025 por um recurso da Universal Music, mas foi novamente banida após um laudo confirmar uma “semelhança indisfarçável” entre as composições.
O impasse territorial: por quê São Paulo?
A decisão de enviar o caso a São Paulo – onde está uma das sedes da Universal Music Brasil – foi recebida com críticas ferrenhas pela defesa de Toninho:
“É inusitado mudar para São Paulo quando autor, réus e provas estão no Rio”, afirmaram os advogados do compositor, destacando que tanto ele quanto a gravadora têm base na cidade.
Além disso, a transferência faz com que o julgamento volte ao status zero, reiniciando com a possibilidade de anulação de tudo que foi coletado.
A escalada do conflito
Além da batalha por direitos autorais, o caso ganhou contornos penais em janeiro de 2025. A equipe jurídica de Toninho moveu uma queixa-crime por falsidade documental contra Adele, o produtor Greg Kurstin e as gravadoras XL Recordings e Universal Music. A acusação? Irregularidades graves em documentos da defesa, incluindo “rasuras e entrelinhas inseridas à mão” em uma procuração.
O que Toninho Geraes exige:
- Indenização de R$ 1 milhão por danos morais e materiais;
- Veto permanente à execução de “Million Years Ago”;
- Lucros obtidos com a música desde seu lançamento, em 2015.
Em entrevista ao jornal O Globo, o compositor mineiro foi incisivo sobre o desgaste da batalha judicial:
“Eles nunca se importaram comigo, com o processo ou com minhas alegações. Então, por que eu iria me preocupar com eles? […] Não autorizarei essa música a voltar”.
Próximos capítulos
Enquanto a Justiça de São Paulo não assume o caso, a música volta as plataformas. A defesa de Adele e das gravadoras mantém silêncio sobre a transferência – mas a estratégia de Toninho é clara: pressionar globalmente por reconhecimento da autoria.
O mundo aguarda: será que vem mais uma vitória de um artista brasileiro contra um gigante da música?
