“Favela é o C…!”, afirmou Silva. Cantor de 37 anos, gay assumido, filho de professora. Em meio aos desabafos feitos em seu show, em Brasília, onde sobrou seus pitacos de ira para todos os lados: de Virgínia até Paula Lavigne, ele acaba de cometer uma séria infração moral.
Longínquos anos atrás, Mallu Magalhães disparou “quem disse que Branco não toca samba?” e sofreu os mais sérios ataques digitais. Pior, como era mulher, nem a Globo (que exibiu a atração no lugar da finada TV Globinho) se ofereceu pra retirar o momento constrangedor da internet.
Mas estamos falando de Silva e a diferença é clara: ele é homem branco. E ele talvez possa não ver os comentários tenebrosos – aliás, frutos da potencial nova regulamentação da internet: onde quem antes só xingava ou cancelava, terá que rever seus pontos.
E voltaremos a história da “Favela é o C…”: quantas famílias não são formadas nas favelas, nas Cohabs, nas cidades periféricas, buscando a necessidade de sobreviver? Ensinar os filhos a não passarem pelo que eles passaram e poderem ter uma vida digna, até mesmo poder os retirar dali? Sabe que exemplo posso dar? Sim, os Negritude Júnior, a banda vivia no condomínio onde meus avós, minha mãe e meus tios moravam. Vendiam bala na CPTM, eram apanhados dos guardas, mas queriam pagar o primeiro disco. Onde eles chegaram? Ao estrelato dos anos 90.
Já o Silva, é só um One Hit Wonder se esperneando. E passou da hora do povo pedir desculpas a Mallu, a Konka e até mesmo ao Netinho de Paula.
