Os álbuns favoritos da Equipe (Parte 1)

Cinco álbuns preferidos refletem amor, transgressão e crítica social através da música.

Hoje, a gente se deparou com uma pergunta: “Qual é seu álbum favorito da vida?”. Eu, o @danskbarion e uma galera, tivemos, diria, uma escolha ultra difícil. A gente não tem um, mas cinco álbuns preferidos em nossa discoteca compartilhada. Nesta primeira parte, vamos aos cinco discos selecionados da Camila.

Sobre as escolhas

Da zona latina aos recantos mais introspectivos da Europa, há discos que me acompanham como se fossem amuletos. São obras que eu volto a ouvir como quem busca um eco interior, um lembrete de que o som pode ser tão filosófico quanto emocional. Quando preciso mergulhar em algo que vá além do óbvio, são três álbuns que me chamam: “Bocanada”, de Gustavo Cerati, “Décalages”, de Françoise Hardy, e “L’Autre”, de Mylène Farmer.

Esses discos soam como portais. Cada faixa é uma dobra no tempo, uma viagem entre o místico e o humano. Cerati, com seu experimentalismo argentino e sua eletrônica atmosférica, cria em Bocanada uma espécie de exílio interior, onde o amor se mistura à dúvida e à transcendência. Já Françoise Hardy, em Décalages, reflete sobre o deslocamento da vida e das emoções — canta o que está entre o passado e o que ainda não chegou, com uma elegância quase metafísica. E Mylène Farmer, em L’Autre, faz da dor um espetáculo de sensibilidade e provocação; um álbum que entende a escuridão como parte essencial da beleza.

Ouvir esses três trabalhos é como atravessar diferentes estágios da alma. É alquimia pura: começa no amor, passa pela transgressão e termina na crítica — à sociedade, à moral, às máscaras que usamos para suportar o cotidiano.

Mas se o tema é amor, transgressão e crítica, as escolhas nacionais também merecem lugar nesse mesmo altar sonoro. Porque aqui, o humor e a ironia também são formas de rebeldia. Penso em como “Désenchantée”, com sua revolta existencial, e “Índios”, com seu olhar quase profético sobre o Brasil e o ser humano, podem dialogar perfeitamente com “1406”, dos Mamonas Assassinas. Três músicas de universos completamente distintos, mas unidas por uma sinceridade brutal: todas zombam de um mundo que tenta nos padronizar, que promete demais e entrega de menos.

E o que dizer de “Robocop Gay”? Há algo de genial em como os Mamonas transformaram um tema marginalizado em riso, liberdade e empoderamento — num tempo em que a coragem era disfarçada de deboche. Se as curadorias das playlists fossem mais generosas, essa faixa estaria lado a lado de “Sans Contrefaçon”, da própria Mylène Farmer, e “I Will Survive”, de Gloria Gaynor. Seria uma tríade perfeita: três músicas que dizem, cada uma à sua maneira, “eu sou quem sou, e sobrevivo cantando”.

Essas combinações, improváveis à primeira vista, revelam um mesmo fio condutor: a arte como espelho da resistência. A resistência de quem ama demais, de quem sente demais, de quem não se encaixa nas molduras. Talvez por isso eu volte sempre a esses discos — porque eles me lembram que viver é, também, um ato de curadoria. E que entre o riso e a lágrima, o pop e o existencialismo, o que permanece é o desejo de continuar dançando, mesmo quando o mundo parece desabar em volta.

Opa, tudo bem?

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