Desde as primeiras coberturas sobre o festival Eurovision, nos ides de 2012, uma coisa era questionada: como conseguiram manter tantos países que, diplomaticamente, não são nem um pouco aliados a se reunirem no Azerbaijão? A resposta só chegou treze anos depois: eles usam a diplomacia como sua plataforma política para realizar o evento em países considerados problemáticos – mas que são membros elegíveis a disputar e vencer uma competição.como esta.
O caso que envolve a participação israelense não é a única e tampouco a última. Desde os primeiros anos de participação de Portugal e Espanha no festival do Eurovision, por exemplo, os termômetros de protestos e boicotes contra os países que enfrentaram internamente ditaduras eram altos.
A Áustria, país sede da próxima edição, não participou da edição de 1969, sediada na Espanha. Alegou não ter encontrado um artista adequado, mas historiadores do festival contestam, dizendo que houve boicote. Agora, a mesma quer convencer os espanhóis a não boicotarem o evento – por conta de todo o contexto que envolve Israel.
Hoje, o site El Español publicou uma matéria na qual a EBU e a emissora austríaca admitem, pela primeira vez, que podem ter debandada de países do evento. Observando os dois cenários, uma coisa é certa: o prejuízo será grande a ponto de comprometer a realização de qualquer edição do Eurovision a médio prazo.
A emissora da Alemanha, pressionada pela sua política de apoio incondicional ao país, já deu o recado que não vai sair. Então, se sem a presença de Israel eles contornaram esta então potencial situação, como ficará se não os vetarem da próxima edição?
Volta-se à Espanha, Países Baixos, Eslovênia, Irlanda e Islândia. Dois destes países estão entre os dez que mais colaboram financeiramente para a União Europeia de Radiodifusão (EBU) realizar seu show anual. Numa eventual saída delas, por mais otimistas que digam que dá pra administrar, a médio prazo compromete a participação de países que não dispõe de recursos suficientes para uma participação – isso, nem mesmo uma licitação pra patrocinadora máster cobrirá.
É o caso tanto do bloco dos países balcãs e do leste europeu, assim como também compromete uma eventual continuação da saga de Portugal ao bicampeonato. Exemplos claros existem, como Bulgária, Romênia e Moldávia, que não dispõe de recursos e sequer de ânimo para um eventual retorno.
A EBU, recentemente, viu-se nos centros das atenções não apenas neste caso, como também de uma edição não autorizada de seu projeto asiático acontecer. Entre os países envolvidos no caso, estão Butão e Vietnã, que, logo depois, participaram do homologo russo, o Intervision. Vietnã venceu com comparações claras sobre a qualidade musical do país sobre a participação vitoriosa austríaca.
Agora, a entidade intercontinental de emissoras precisa se decidir. Ainda não chegou dezembro e seu resultado final sobre o cenário que adotarão para o evento. Se for pró Israel, a RTVE vai responder com o Hispavision finalmente realizado? Ou será que a EBU vai adotar o cenário mais aguardado desde as vaias do público para a canção selecionada para Belarus, em 2021? Vamos aguardar o final da novela que nem a Odete Roitmann aguenta mais ver.
