Perdermos: Agente Secreto perdeu, que nem Cidade de Deus

Se não fizemos história daquela forma, fizemos por outra.

A noite dos Oscar terminou de um jeito que o povo brasileiro não aguentou mais a busca insaciável de uma validação estadunidense. Gritou “marmelada” para o filme norueguês que venceu na categoria a qual faríamos história se vencessemos.

Se não fizemos história daquela forma, fizemos por outra. O filme de Kleber Mendonça Filho teve o mesmo destino de outro clássico do cinema nacional, “Cidade de Deus” (2003) – esnobado por uma academia que condecorou obras financiadas por barões da indústria. E acredite ou não, isso basta.

Por mais que houvesse a celebração dos vira-latas digitais, vale uma pergunta: se o filme fosse o “Tropa de Elite” (2007), eles celebrariam essa derrota? Com certeza, não. Ademais, Tropa foi outro filme “forte demais” para concorrer para a academia. E, pasmem, a indicação de Wagner Moura era pra ter acontecido também naquele ano.

E vamos combinar que agora descobrimos que não basta o filme ser muito bom, precisa de investimentos de todos os setores para a campanha. E foi aqui onde perdemos: a campanha não foi tão forte que imaginávamos, nem como foi o antecessor “Ainda Estou Aqui”. O público agora entendeu que, para vencermos futuramente, vai ser necessário mais do que unir o país, vai precisar bancar a candidatura como um todo. É dessa forma que um filme, ali, acaba sendo indicado e/ou até mesmo vencendo. E é o segundo ano seguido que o Brasil representa a América Latina como um todo (antes de Walter Salles, o último filme indicado para Melhor Filme Internacional foi o excelente “Argentina, 1985”, em 2023).

Dito isso, vamos falar de coisas boas?

A lista de indicações foi ótima, como um todo e era esperado que fosse uma disputa entre “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra”, em meio a saga da compra da Warner pela Paramount (e que pode culminar na venda da MTV). Isso foi até mesmo alertado no post: teríamos uma disputa de melhor ator entre Jordan, Moura e DiCaprio. Os outros concorrentes iam cair por fora, mas um deles, o Thimotee Chalamet, foi de Karla Sofia Gascón da temporada ao esnobar atividades artísticas, que são vitais na conduta da jornada de um personagem cinematográfico ou teatral, em uma entrevista. Saiu e sairá muito caro.

Fora isso, também veio a surpresa de uma fotógrafa vencer o prêmio em 98 edições do Oscar. Autumn Durald superou o favorito da temporada e vencedor de três dos seis prêmios que concorreu, o corinthiano Adolpho Veloso, por “Sonhos de Trem”.

E sobre melhor filme internacional, convenhamos, que o Oscar saiu perdendo ao ter condecorado o filme norueguês “Valor Sentimental”. Tudo bem que a mensagem é sobre a paternidade ausente ou, como os populares chamam, o aborto paterno. Só que não chega nem a metade da mensagem levada pelo KMF em “Agente Secreto”.

Perdemos? Sim, mas já podemos colocar a obra ao lado da gigante obra de Fernando Meirelles como um dos esnobados do Oscar que superam os vencedores – tanto que se perguntar a um brasileiro agora, neste momento, quem venceu a mesma categoria em 2003, ele vai pesquisar no Google antes de responder. Porque “Cidade de Deus” é épico tal como “Agente Secreto”.

Opa, tudo bem?

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