800 mil euros: a cifra perdida pela EBU ao subestimar as cinco saídas do Eurovision

Christer Bjorkman é o primeiro todo poderoso do festival a admitir que foi tudo pelos ares: a saída dos cinco já causou impactos significativos ao Eurovision.

Quando cinco países foram embora em dezembro, a EBU ficou quieta. Agora, às vésperas da edição de número 70, Christer Björkman disse o que o silêncio tentava esconder: as finanças não estão bem.

Quando Espanha, Eslovênia, Irlanda, Islândia e Países Baixos anunciaram, em dezembro, que não retornariam ao Eurovision Song Contest, enquanto Israel permanecesse na competição, a EBU não disse muita coisa a não ser o habitual: “nada de políticas”. Havia uma espécie de silêncio institucional cuidadosamente mantido — o tipo de silêncio que organizações grandes praticam quando a conta ainda não chegou.

Mas a conta chegou e não dá pra parcelar.

Festivais que funcionam bem não precisam trabalhar pesado para manter seus membros. Eles apenas existem, e as pessoas vêm.

Quem a apresentou foi Christer Björkman — produtor sueco, veterano dos mais conhecidos do festival, um dos arquitetos do que o Eurovision se tornou no século XXI. Em entrevista recente, ele admitiu o que a EBU havia se recusado a nomear: as finanças não estão bem. Cinco países ausentes significam cinco retransmissoras que não pagarão as contas, causando um buraco fundo. Até nas buscas do público pelas redes e streamings, os algoritmos, ali, não mentem.

É a primeira vez, desde a debandada de dezembro, que alguém do lado de dentro do festival assume os efeitos concretos do que a imprensa especializada chamou de “campanha de polarização estatal” — um conjunto coordenado de pressões diplomáticas e culturais que transformou o voto sobre a permanência de Israel em algo mais parecido com um referendo geopolítico do que com a deliberação sobre as regras do festival em si.

Sem contar que o timing é bastante cruel. 2025 marca a 70ª edição do Eurovision Song Contest, um festival que nasceu, em 1956, como projeto de reintegração pan europeia no rescaldo da Segunda Guerra. Sete décadas depois, o festival que deveria celebrar a unidade dos continentes ensaia uma fratura — e o aniversário de número redondo acontece com cadeiras vazias onde deveriam estar bandeiras.

Björkman não disse que a situação é irreversível. Pelo contrário: afirmou que a EBU está “trabalhando pesado” para que os países retornem. Mas o uso da expressão trabalhando pesado é, em si, uma admissão. Não é a linguagem de quem está confortável. É a linguagem de quem está correndo atrás de uma iminente derrota se não atenderem aos anseios destes cinco países: uma revisão de regras, de participações e de questionamentos sobre se países em guerra podem estar presentes, desde que tenham o famoso jogo limpo.

O que está em jogo agora até vai além destes anseios, também traduzível como as novas cruzadas culturais. Sairá dali a resposta a uma pergunta que o Eurovision sempre postergou: pode um festival cultural fingir que a cultura existe fora da política? Por décadas, a resposta foi “sim” — ou ao menos, plausível o suficiente para funcionar. Agora, com todos os ingredientes dados para esta polarização, a plausibilidade acabou. E Christer Björkman, com a honestidade que a situação exige, foi o primeiro a dizer isso em voz alta.

Foram sete décadas de canções pela união. E, agora, mais do que nunca, o silêncio é que rege a orquestra.


Finlândia revela números e efeitos da campanha de polarização

A emissora finlandesa YLE revelou, nesta tarde, os dados que podem colocar em xeque não apenas o festival Eurovision em si, mas diversos festivais nacionais ocorridos nos últimos anos.

A campanha coordenada não apenas beneficiou as candidaturas de Israel em si, mas também deliberou uma polarização anti jurados, vitais tanto no festival em si como em vários festivais nacionais que são usados como seletivas para o Eurovision.

O Urbanna vai acompanhar de perto este novo desdobramento e os efeitos que aconteceram para reportar.


A programação dos novos Big Five: Eslovênia fala da Palestina, Espanha terá show da Channel

Além do fato das saídas, apenas dois países exibirão, por canais diferentes, o Eurovision. São os casos da Islândia, que vai cobrir pelo canal 2, e os Países Baixos, que transmitirá pelo canal jornalístico NOS.

Os demais países do chamado Novo Big Five, terão programações diferentes. A Irlanda ainda não anunciou o que fará no horário, mas a Eslovênia e a Espanha já.

No país adriático, uma série de documentários sobre a Palestina serão exibidos na hora do show, além de uma mensagem da emissora reiterando a não participação e transmissão do Eurovision.

Nas terras dos hermanos europeus, um show musical está programado para acontecer e com diversos artistas que já se apresentaram no festival. Incluindo a rainha da latinidade eurovisiva, segundo vários fãs, Channel Terrero.

Outra emissora que vai exibir uma atração diferente será a VRT da Bélgica, com um documentário sobre o caso de Israel e como a polarização chegou longe demais. A exibição está prevista para antes do festival, com uma mensagem de manifesto, uma vez que a VRT também protestou pela retirada do país do festival. Neste ano e quiçá os próximos, a Bélgica será representada pela RTBF.


Importante: o valor estimado foi calculado com base na média de participação dos cinco países que saíram do festival.

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