Eurovision: Portugal fora da final, Israel dentro e sob controvérsias

Semifinal marcada por polêmicas até antes da realização, já constata o que muitos fãs estão cansados de perceber.

Já são conhecidos os 15 dos 25 finalistas da edição mais polêmica do Eurovision. A noite de terça-feira em Viena confirmou eliminações, classificações e um nó político que a música teima em não desfazer.

A primeira semifinal do Festival Eurovisão da Canção 2026 aconteceu nesta terça-feira, 12 de maio, na Wiener Stadthalle, em Viena, na Áustria — e entregou exatamente o que prometia: emoção, música e uma carga política que nenhuma coreografia conseguiu esconder. Das 15 nações que subiram ao palco, apenas 10 garantiram o passaporte para a grande final de sábado, dia 16.

Portugal não estava entre elas.

A Rosa que não floresceu em Viena


Os Bandidos do Cante chegaram à Áustria carregando uma responsabilidade dupla: representar Portugal com a canção Rosa — inspirada no Cante Alentejano, tradição musical inscrita desde 2014 na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO — e fazê-lo num contexto em que 13 dos 16 candidatos ao Festival da Canção haviam ameaçado boicotar o concurso por causa da presença de Israel.

Os cinco rapazes oriundos de Beja escolheram o palco. Escolheram a música. E, como disseram nas redes sociais ainda antes de vencer o Festival da Canção em 7 de março, foram a Viena “com responsabilidade, respeito e dignidade”. Atuaram em quinto lugar na noite, entre 15 países. Não foi suficiente.

Portugal fica fora da final do Eurovision pela primeira vez desde 2019 — e pela sexta vez desde que o concurso adotou o formato de semifinais. A Rosa tinha espinhos, como titulou a imprensa portuguesa. O Cante Alentejano, esse patrimônio coletivo que atravessa séculos de sol e chão do Alentejo, não encontrou eco suficiente no voto combinado de júri e televoto. Junto de Portugal, também ficaram pelo caminho Montenegro, Geórgia, San Marino e Estônia.

Israel classificado — e os aplausos misturados com vaias


Se a eliminação de Portugal foi uma tristeza relativamente silenciosa, a classificação de Israel foi o momento mais ruidoso da noite — literalmente. Quando o nome do país foi anunciado entre os 10 que avançaram para a final, o público da Wiener Stadthalle respondeu com uma reação dividida: aplausos de um lado, vaias e protestos do outro.

A diferença em relação à edição suíça de 2025 foi deliberada. A emissora anfitriã austríaca, a ORF, decidiu não usar ruído artificial para abafar as manifestações do público, nem proibir a presença de bandeiras palestinas no interior do recinto. “A nossa tarefa é mostrar as coisas como elas são”, declarou Stefanie Groiss-Horowitz, diretora de programação da emissora, numa postura que contrasta — e critica implicitamente — a gestão do evento no ano anterior.

Noam Bettan representa Israel com a canção Michelle, escolhida internamente após um processo seletivo que reuniu cerca de 200 propostas. A participação israelense no concurso voltou a concentrar as tensões que dominaram os debates sobre o Eurovision até mesmo antes de 2024, quando a guerra em Gaza intensificou os apelos à exclusão do país.

A polêmica não ficou restrita às arquibancadas. Antes do início da competição, vídeos promocionais circularam nas redes sociais incentivando o público a “votar 10 vezes em Israel” — o máximo permitido pelo sistema de televoto. A iniciativa rendeu à emissora israelense KAN uma advertência formal da EBU (União Europeia de Radiodifusão), que classificou a campanha como contrária ao “espírito da competição”. A KAN removeu os vídeos, mas não sem antes alegar que outros países faziam o mesmo (o que foi devidamente negado, por não contar o apelo ao voto massivo).

Ainda antes das semifinais, a Anistia Internacional havia criticado duramente a decisão da EBU de manter Israel no concurso. Agnes Callamard, secretária-geral da organização, chamou a omissão de “um ato de covardia” e de “dois pesos, duas medidas”, comparando o tratamento dado a Israel com a suspensão imediata da Rússia em 2022. “Em vez de enviar uma mensagem clara de que há um custo para os crimes atrozes de Israel contra o povo palestino, a EBU deu a Israel este palco internacional”, afirmou.

Os 5 países que disseram não


Cinco países optaram por não estar em Viena: Irlanda, Países Baixos, Eslovênia, Espanha e Islândia. Todos anunciaram o boicote em dezembro de 2025, imediatamente após a EBU confirmar a presença israelense na edição de 2026. Para a Irlanda — que divide com a Suécia o recorde de sete vitórias no Eurovision —, é a primeira ausência motivada por razões políticas em décadas de história no concurso.

Os 10 que avançaram


Superado o ruído, a música também aconteceu. Os dez países classificados na primeira semifinal, que se juntarão ao Big 5 (Áustria, como país anfitrião, mais França, Alemanha, Itália e Reino Unido) na grande final de sábado, são:

🇲🇩 Moldávia
🇸🇪 Suécia
🇬🇷 Grécia
🇧🇪 Bélgica
🇫🇮 Finlândia
🇮🇱 Israel
🇷🇸 Sérvia
🇭🇷 Croácia
🇱🇹 Lituânia
🇵🇱 Polônia


Os resultados foram anunciados em ordem aleatória — um retorno ao formato pré-2025 —, de modo que a classificação definitiva dentro da semifinal só será revelada após a final de sábado.

O que vem a seguir


A segunda semifinal acontece na quinta-feira, 14 de maio, e revelará os outros 10 finalistas. Os 25 países que disputarão a grande final serão conhecidos na madrugada de sexta para sábado. A Grande Final do Eurovision 2026 está marcada para sábado, 16 de maio, também na Wiener Stadthalle, em Viena — numa noite que promete ser, ao mesmo tempo, espetáculo e campo de batalha simbólico.

A 70ª edição do concurso nasceu polêmica e segue fiel a si mesma.


Este ano, a cobertura do Urbanna sobre o Eurovision está adaptada devido ao caso que seguirá coberto pela nossa equipe até depois da edição do festival.

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Uma resposta a “Eurovision: Portugal fora da final, Israel dentro e sob controvérsias”

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